Número de pessoas abaixo da linha da pobreza dobrou no Paraná

No decorrer dos anos 2000 e até 2014, políticas públicas tinham contribuído para um cenário mais ameno das taxas de pobreza no país, segundo a professora de Economia e Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Paraná, Kenia Barreiro de Souza. Nesta época, a economista conta que programas como o Bolsa Família se mostraram eficientes no combate a pobreza e o Brasil era visto como um caso de sucesso. Depois de 2015, no entanto, com o início da recessão econômica, houve um aumento expressivo no número de desempregados. Ela explicou que isso levou os índices de pobreza a retornarem para os mesmos níveis dos anos 90, mas com um agravante: os limites de gastos do governo impediram a expansão dos programas sociais, e essa nova população que entrava na pobreza ficou sem assistência destes programas. Nos últimos 4 anos, a quantidade de pessoas vivendo na rua em São Paulo, a maior cidade do país, aumentou 60%.

No Paraná, o IBGE indicou que em cinco anos, de 2013 a 2018, dobrou o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. A professora Kenia Barreiro de Souza traça um panorama sobre a gravidade da situação.
Ao mesmo tempo, os grandes bancos tiveram lucro de 86,4 bilhões em 2019, o maior da história.  A economista faz um paralelo entre os dois dados.

Em momento de políticas públicas fragilizadas, a população em situação de risco financeiro e social acaba contando com entidades do terceiro setor. Uma das Ongs que atua em áreas de pobreza no Brasil é o TETO. A instituição arrecada fundos para construção de moradias de emergência para pessoas em áreas pobres. Cada casa pré moldada é construída em dois dias por uma equipe de 10 voluntários em conjunto com a família que vai morar nela. Além da troca de experiências entre voluntários e moradores, da mudança da realidade das famílias, a ONG também tenta mudar a realidade da comunidade, construindo hortas, parquinhos, pontes, bibliotecas e promovendo encontros entre lideranças comunitárias de diferentes locais, como explica Ana Bivar, gestora da sede do TETo no Paraná.

AMANDA YARGAS/REDE AERP DE NOTÍCIAS/AGÊNCIA BRASIL

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